Estudante fazendo anotações em uma mesa de estudos iluminada

O edital de Curitiba saiu em 21 de setembro de 2026, e a prova de nível médio está marcada para 13 de dezembro. E aí vem a pergunta que chega todo dia no WhatsApp da secretaria do IBV:

"Brenno, ainda dá tempo?"

Dá tempo se você parar de perder tempo. É essa a resposta, e ela não é frase de efeito. Vou te mostrar exatamente o que fazer com as semanas que restam até a prova.

Antes do cronograma, pare de comprar cronograma pronto

Você já viu passar no Instagram: aquele quadrinho bonito, de segunda a domingo, tudo redondinho. Segunda, uma hora de português e uma hora de matemática. Terça, uma hora de informática e uma hora de legislação. Bonito demais.

E inútil para você. Sabe por quê?

Porque ele dá a mesma quantidade de tempo para a matéria que você é bom e para a matéria que você é ruim. Você acha que é uma mão na roda, mas está patinando no gelo: muito esforço, nenhum avanço. Cronograma padrão serve para um candidato médio que não existe.

O seu cronograma tem que ser montado por você. Eu te dou a técnica e o esqueleto. O preenchimento é seu.

A técnica: PRD — Peso, Recorrência e Dificuldade

É o método que eu passo para os alunos do IBV, e é onde você deve concentrar a maior parte do seu tempo diário.

  • P — Peso. Quanto a matéria vale na prova. O edital já definiu: no nível médio, Conhecimentos Específicos têm 20 das 40 questões, e Português, Raciocínio Lógico, Informática e Legislação têm 5 cada. Matéria com peso maior recebe mais tempo, ponto.
  • R — Recorrência. O que mais cai. Não é o edital inteiro que despenca em prova — é um conjunto de temas que se repete. Descobrir isso é olhar prova anterior da banca, e eu já fiz esse trabalho para você nos artigos de Língua Portuguesa e de perfil da banca.
  • D — Dificuldade. A sua, não a do vizinho. Matéria em que você é ruim recebe mais tempo. Matéria em que você é bom recebe manutenção.

Parece óbvio. Mas quase ninguém faz, porque estudar aquilo em que somos bons é gostoso e estudar aquilo em que somos ruins é chato. O cronograma existe justamente para te proteger de você mesmo.

As quatro regras que não se negociam

Regra 1 — Duas matérias por dia. Em regra. Se você já tem rotina de estudo consolidada e bastante tempo livre, pode ir para três. Quem está começando do zero e coloca três matérias por dia não absorve nada — só cansa e acha que rendeu.

Regra 2 — Nunca duas matérias difíceis no mesmo dia. Se você é péssimo em matemática e péssimo em informática, não coloque as duas na segunda-feira. Isso é receita de desistência na terceira semana. Emparelhe sempre uma difícil com uma mais tranquila.

Regra 3 — De segunda a segunda. Não venha com o papo de que sábado e domingo não dá. O fim de semana é onde você tem blocos longos e sem interrupção — é o melhor momento para simulado e para as matérias pesadas.

Regra 4 — Nunca acorde sem saber o que vai estudar. Se você abre o olho na segunda e pensa "o que será que eu estudo hoje?", já perdeu. Você vai problematizar, enrolar, procrastinar, e o dia acaba sem estudo. O cronograma existe para matar essa pergunta antes que ela nasça.

Estudo passivo e estudo ativo — você precisa dos dois

Estudo passivo é quando você recebe a informação: assistir à videoaula, ler a apostila. É necessário. É onde a matéria entra.

Estudo ativo é quando você age: escreve, rabisca, resolve exercício, faz questão, faz simulado. É onde a matéria fica.

Quem só faz o passivo tem a sensação de que estudou muito e um desempenho que não corresponde. Você não aprende a resolver uma regra de três assistindo alguém resolver uma regra de três.

O ideal é fazer os dois ao mesmo tempo. Está assistindo à aula? Caderno aberto do lado, caneta na mão, refazendo o que o professor faz na tela. Você não precisa de cantinho de estudo bonito com marca-texto de trinta cores — isso é perfumaria. Precisa de caderno, caneta e uma caneta marca-texto.

Ciclo de revisão: para-brisa e retrovisor

Aqui é onde a maioria erra feio na reta final.

A galera fica afobada querendo só "matar o edital", avançar, avançar, avançar. Mas concurso público não é só para a frente. É para-brisa e retrovisor: olha para a frente, olha para trás.

Pensa no equilibrista de pratos. Se ele focar muito tempo em um prato só, os outros caem. Concurso é igual: se você passar três semanas mergulhado em legislação sem tocar em português, o português cai. Não é preguiça sua, é a curva do esquecimento — a gente esquece com o passar do tempo, e o único jeito de achatar essa curva é revisando.

Ver, rever, repetir, reforçar. A repetição é a chave da aprovação. Não é sobre genialidade — nunca foi.

Um esqueleto até a prova de 13 de dezembro

Vou te dar um modelo de quase 12 semanas, contadas a partir da publicação do edital. Ele cobre o que o edital cobra: Conhecimentos Específicos, Língua Portuguesa, Raciocínio Lógico, Noções de Informática e Legislação. Se você começou depois, comprima as fases, mas não pule nenhuma.

Semanas 1 a 4 — Fundação. Objetivo: cobrir a base e descobrir onde você é ruim.

  • ✅Conhecimentos Específicos e Legislação — comece pelos Fundamentos da Administração Pública e, na legislação, por deveres, proibições e princípios da Administração.
  • ✅Língua Portuguesa — interpretação de texto e a gramática de classificação.
  • ✅10 questões por dia, desde o dia 1. Não espere "terminar a teoria".

Semanas 5 a 8 — Ampliação com revisão. Entram Raciocínio Lógico e Informática, e Específicos segue todo dia. E agora toda semana tem revisão do que foi visto no bloco anterior. Sem isso, o bloco 1 evapora.

  • ✅Suba para 15 a 20 questões por dia.
  • ✅Um simulado por fim de semana, cronometrado.
  • ✅Um dia da semana inteiro dedicado só a revisão. Sagrado.

Semanas 9 a 12 — Lapidação. Aqui muda a natureza do estudo. Você para de perseguir conteúdo novo e passa a cortar arestas.

  • ✅Questões viram o centro do dia, não o complemento.
  • ✅Revisão dos erros: mantenha um caderno só com o que você errou e volte nele.
  • ✅Simulado completo de 40 questões em 4 horas, o tempo real da prova, sentado e sem celular.

Esse é um esqueleto, e eu disse e repito: quem preenche é você, com o seu PRD, com as suas dificuldades e com o seu tempo real disponível. Duas horas por dia bem feitas valem mais do que seis horas mal feitas.

Questões desde o primeiro dia

Isso aqui não é facultativo, não é uma opção que você avalia. Quer passar? Faça questões.

E o erro clássico é deixar para o fim: "primeiro eu termino a teoria, depois começo as questões". Não. Você chega na semana 7 sem nunca ter enfrentado o formato da banca, descobre que ela usa cinco alternativas e blocos de assertivas, e entra em pânico.

Comece com 10 por dia. Parece pouco, é o suficiente para criar o hábito. Depois de duas semanas você já está mais ligeiro, sobe para 15. No fim de semana, arregaça: 50 questões e um simulado.

Agora que o edital saiu: faça isso hoje

Com o edital publicado, faça três coisas hoje, não na semana que vem:

  • Verticalize o edital. Transforme o conteúdo programático em uma lista de temas com caixinhas para marcar. É assim que você sabe o que já matou e o que falta.
  • Recalcule o PRD. Agora você tem o peso oficial de cada matéria: no nível médio, Específicos vale 50 dos 100 pontos. Redistribua o tempo.
  • Encaixe os Conhecimentos Específicos. Em Curitiba, são 20 das 40 questões para Agente Administrativo. É o maior bloco da prova.

Quem já vinha estudando está só ajustando o plano. Quem ainda não começou, começa hoje, com o cronômetro correndo e as inscrições abrindo em 7 de outubro.

O recado final

Eu sei que é difícil. É sexta-feira, é sábado, é domingo, e você ali estudando enquanto a galera está no churrasco. Parece que você está sendo puxado para trás.

Mas concurso público é o verdadeiro estilingue da vida: enquanto você é puxado para trás, a força está sendo acumulada. E quando ele é lançado, você vai para a frente numa velocidade que demora até para a ficha cair — na hora em que você vê o seu nome no Diário Oficial.

A gente sabe o que precisa ser feito. Saber e não fazer é a pior das traições.

Então monta o teu cronograma hoje. Não amanhã, não na segunda. Hoje. E se quiser começar pela matéria que mais rende agora, vai para a legislação municipal de Curitiba — ou entenda antes o que faz um Agente Administrativo, para saber exatamente atrás do que você está correndo.

Eu não prometo aprovação para ninguém. Prometo preparação. Bora.

Fontes consultadas

  • Contrato da Prefeitura de Curitiba com a Fundação FAFIPA, assinado em 13/07/2026 e publicado no Diário Oficial do Município nº 132, de 20/07/2026.
  • Edital Normativo nº 4/2026 da Prefeitura Municipal de Curitiba, de 21/09/2026 (estrutura da prova e cronograma).
  • Cadernos de prova da Fundação FAFIPA para cargos administrativos de nível médio (2018–2020), usados para dimensionar os blocos da prova.