O edital do concurso da Prefeitura de Curitiba saiu em 21 de setembro de 2026 e confirmou quem escreve a prova: a banca FAFIPA. E quem entende o jogo sabe o que isso significa.
Significa que você não precisa adivinhar como vai ser a prova de Língua Portuguesa. A FAFIPA não vai inventar uma banca nova só para Curitiba. Ela vai fazer o que sempre fez. E o que ela sempre fez está em provas públicas, que qualquer um pode baixar e ler.
Foi exatamente isso que eu fiz para escrever este artigo. Vem comigo que eu vou te mostrar o que essas provas revelam.
De onde saíram os dados deste artigo
Não vou te falar de estilo de banca por achismo. Analisei provas reais aplicadas pela FAFIPA, todas para cargos administrativos de nível médio — o mesmo perfil do Agente Administrativo de Curitiba:
- Prefeitura de Arapongas/PR (2020) — cargo de Agente Administrativo, Edital nº 087/2019.
- FEAES — Curitiba/PR (2019) — Assistente Administrativo. Essa importa: a FEAES é a Fundação Estatal de Atenção Especializada em Saúde da própria Curitiba.
- Prefeitura de Paranaguá/PR (2018) — Auxiliar Administrativo.
- Prefeitura de Nova Esperança/PR (2019) — Assistente Administrativo.
- Prefeitura de Tibagi/PR (2019) — Auxiliar Administrativo.
Antes de continuar, o aviso honesto: padrão histórico de banca não é garantia. Quem manda é o edital, e o de Curitiba já saiu: para o nível médio, são 5 questões de Língua Portuguesa em 40. O que está aqui é o comportamento repetido da FAFIPA em provas anteriores — uma vantagem enorme para quem começa agora, mas não uma bola de cristal.
Quantas questões de Português a FAFIPA costuma cobrar
Aqui já aparece a primeira informação prática. O peso de Língua Portuguesa varia conforme o cargo, e varia bastante:
- ✅Arapongas 2020, Agente Administrativo — 6 questões de 30 (questões 01 a 06)
- ✅FEAES Curitiba 2019, Assistente Administrativo — 5 questões de 40 (questões 01 a 05)
- ✅Paranaguá 2018, Auxiliar Administrativo — 10 questões de 40 (questões 01 a 10)
Ou seja: entre 12,5% e 25% da prova. Em Curitiba, o edital fixou 5 questões de 40 (12,5%) tanto no nível médio quanto no superior. E tem mais uma coisa: em todas as provas analisadas, Língua Portuguesa é sempre o primeiro bloco. É com ela que você abre o caderno, com a cabeça fresca e o relógio inteiro pela frente.
Sempre começa com um texto — e o texto não é enfeite
Em todas as provas que eu abri, o bloco de Português começa com um texto e um comando do tipo "texto para as questões de 01 a 06". A banca gosta disso.
E os textos não são do mesmo tipo. Em Arapongas, caiu uma reportagem de divulgação científica sobre baterias de lítio-enxofre. Na FEAES, caiu literatura: a crônica "O jovem casal", de Rubem Braga.
Guarde isso, porque muda como você treina. Texto jornalístico cobra localização de informação e relação de causa. Texto literário cobra outra coisa — ironia, campo semântico, tom, clímax. Na prova da FEAES, uma das assertivas pedia para o candidato reconhecer que expressões como "cheiravam mal" e "mediocridade" criavam um campo semântico negativo. Isso não se resolve lendo rápido.
Depois do texto, vem a gramática miúda
Essa é a parte que pega o candidato desprevenido. Resolvidas as primeiras questões de interpretação, a FAFIPA vai para a gramática de detalhe. Não é redação, não é estilística: é classificação.
Os temas que apareceram, com as questões reais:
- Classificação silábica — Arapongas pediu para classificar "enxofre" entre monossílaba átona, dissílaba, monossílaba tônica, polissílaba e trissílaba.
- Hiato, ditongo e dígrafo — e cobrados na mesma questão, nessa ordem: "assinale a alternativa que apresenta um hiato, um ditongo e um dígrafo, nessa ordem".
- Classes gramaticais — apareceu nas duas provas. A FAFIPA marca de três a cinco palavras no meio de um trecho e pede a classe de cada uma, na ordem.
- Sinônimos — Arapongas pediu o sinônimo de "desintegrar". A FEAES pediu os sinônimos de "ímpeto" com exceção de um.
- Emprego dos porquês — a FEAES montou quatro orações e perguntou em quais o uso estava correto.
Repare no padrão: é tudo conteúdo de ensino médio, sem nenhuma sofisticação teórica. Mas é conteúdo que a maioria dos adultos não revisa há quinze anos. Aí a pessoa chega na prova achando que "português é interpretação" e leva um susto na questão de dígrafo.
O formato da questão importa tanto quanto o conteúdo
Três características aparecem em todas as provas analisadas, e elas mudam a forma de responder:
São cinco alternativas, de (A) a (E). Parece detalhe, não é. Chute puro vale 20%, não 25%. Eliminar uma alternativa passa a valer muito mais.
A banca ama blocos de assertivas. Ela lista afirmações em algarismos romanos — I, II, III, IV, às vezes até V — e pergunta quais estão corretas. Uma única assertiva mal avaliada derruba a questão inteira.
E ela usa enunciado negativo com frequência. "Assinale a alternativa INCORRETA", "são sinônimos, EXCETO". Só na prova da FEAES, contei oito enunciados com INCORRETO e mais dois com EXCETO.
Esse conjunto de manias merecia um artigo só para ele — e tem. Se você quer entender como a FAFIPA arma as pegadinhas em todas as matérias, leia o perfil completo da banca e as pegadinhas mais comuns.
Como estudar Português para essa banca
Agora a parte prática, do jeito que eu passo para os alunos do IBV.
Primeiro: divida sua Língua Portuguesa em duas. Interpretação de texto é uma coisa; gramática de classificação é outra. São dois treinos diferentes e a maioria só faz o primeiro, porque é o mais confortável.
Segundo: aplique o PRD. Peso, Recorrência e Dificuldade. Peso é quanto a matéria vale no edital. Recorrência é o que mais cai — e você acabou de ver a lista de recorrência acima. Dificuldade é sua, e só você sabe. Se você lê bem mas não sabe o que é dígrafo, seu tempo de estudo vai para o dígrafo, não para mais um texto de interpretação.
Terceiro: estudo ativo, não só passivo. Assistir aula é estudo passivo — necessário, mas insuficiente. Estudo ativo é você escrevendo, separando as sílabas na mão, resolvendo questão. Você não aprende a classificar "enxofre" assistindo alguém classificar "enxofre".
Quarto: faça questões da própria FAFIPA. Isso não é opcional. Não adianta treinar em prova de banca que cobra de outro jeito, com quatro alternativas e sem bloco de assertivas. Você estaria afiando o machado errado.
E não esqueça da legislação, que é onde o candidato de Curitiba tem vantagem de casa — veja por onde começar a Lei Orgânica e o Estatuto dos Servidores.
O recado final
A repetição é a chave da aprovação. Não é genialidade, nunca foi. É ver, rever, repetir e reforçar — e é por isso que quem começa agora, com o edital na mão, chega na prova em outro patamar.
Você está com a banca definida, com as provas antigas disponíveis e com o edital publicado. A prova de nível médio é em 13 de dezembro. Dá tempo, sim — dá tempo se você parar de perder tempo.
Fontes consultadas
- Cadernos de prova aplicados pela Fundação FAFIPA: Prefeitura de Arapongas/PR (Agente Administrativo, Edital nº 087/2019); FEAES – Fundação Estatal de Atenção Especializada em Saúde de Curitiba/PR (Assistente Administrativo, 2019); Prefeitura de Paranaguá/PR (Auxiliar Administrativo, 2018); Prefeitura de Nova Esperança/PR (Assistente Administrativo, 2019); Prefeitura de Tibagi/PR (Auxiliar Administrativo, 2019).
- Contrato da Prefeitura de Curitiba com a Fundação FAFIPA, assinado em 13/07/2026 e publicado no Diário Oficial do Município nº 132, de 20/07/2026.